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Ômicron fará CBF e clubes alterarem protocolo de saúde no início da temporada

Foto: Rafael Ribeiro/Vasco

Esporte
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A Europa e os Estados Unidos deram o alerta em dezembro. Os vizinhos já começam a bater recordes de casos, e agora é a vez de o futebol brasileiro — afetado como todo o país — analisar como será o retorno da temporada diante da onda da Ômicron, a nova variante da Covid-19.

Ainda não há número expressivo de casos de infectados nos clubes, pois poucos elencos começaram a retornar, na última segunda-feira, das férias. Outros se reapresentam nos próximos dias ou apenas na semana que vem. Mas os casos já começam a aparecer à medida em que os testes são feitos. Botafogo e Vasco, por exemplo, já tiveram de afastar alguns atletas por causa da Covid-19.

No Vasco, seis atletas testaram positivo na reapresentação: Luis Cangá e Matías Galarza foram os primeiros; em seguida, Nenê, Riquelme, Léo Matos e Thiago Rodrigues se juntaram aos companheiros na quarentena, que deve ser de 10 dias. No Botafogo, por enquanto, apenas o lateral Rafael terá de isolar. Ele e mais três funcionários do clube estão com Covid-19.

A luz amarela já foi dada pelas organizações que cuidam do futebol no país. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) iniciou as reuniões para a definição do protocolo sanitários nas competições ontem à noite. A expectativa é que até o fim de semana haja algum esboço do novo documento, que, segundo o coordenador médico da entidade, Jorge Pagura, poderá ser mais rigoroso a partir de fevereiro:

— Estamos analisando os campeonatos europeus e eventos nos Estados Unidos, além de dados dos principais países. Essa nova variante vai exigir adaptações em relação à temporada passada. Nossas exigências devem estar compatíveis com a definição das autoridades sanitárias locais. Estamos também à espera de dados oficiais no Brasil e também a aplicabilidade do novo período de isolamento em relação à Ômicron.

Atualmente, a CBF exige testes com 72 horas de antecedência naqueles que não têm anticorpos ou não tiveram Covid-19 ou tiveram teste positivo PCR ou de anticorpos há mais de seis meses. O período de isolamento é de 10 dias.

A Federação de Futebol do Rio de Janeiro também estuda nesta semana mudanças nas diretrizes para o Campeonato Carioca que começa no fim do mês.

— A CBF já solicitou que todos os clubes das Séries A e B enviassem a listagem de todos os jogadores e membros da comissão vacinados, quais foram as vacinas e o período, quem testou positivo. Por enquanto, só quem jogou a B que está vivendo isso. Nós, só no primeiro dia, com a testagem, é que pudemos tomar pé da situação. Vamos fazer testagem rotineira durante toda a pré-temporada — diz o médico do Vasco, Marcos Teixeira, destacando que os cuidados das principais ondas da pandemia serão retomados. — Todo mundo volta a usar máscara, por exemplo, e todas as demais medidas.

— Reforçamos os protocolos sanitários, a importância do cartão vacinal e alertamos que a situação requer cuidado permanente. Estamos realizando testagem com frequência nos atletas e funcionários do futebol — destacou o médico do Botafogo, Caio Senise.

No Flamengo, que se reapresenta em etapas, todos serão testados conforme o protocolo do clube de exames semanais de PCR e anticorpos. O departamento médico intensificará as avaliações cardiológicas, com testes de esforço, doppler, entre outros exames preventivos, que possam indicar possíveis problemas. O clube destacou que todos os atletas estão vacinados com as duas doses e contraíram Covid-19 pelo menos uma vez. Os demais cuidados não farmacológicos também vão continuar.

Casos na Argentina

Com o aumento de casos no país — a média móvel de contaminados cresceu 153% no primeiro dia útil do ano —, a tendência é que os clubes brasileiros repitam os vizinhos argentinos. Lá, o recorde de novos casos diários foi batido há uma semana, com 50 mil infectados.

O reflexo no futebol foi imediato. Após as festas de fim de ano, 14 dos 18 clubes que se reapresentaram esta semana têm jogadores com Covid-19. No total, até ontem, somavam 101 infectados entre atletas e membros das comissões técnicas. O Vélez Sarsfield lidera a lista com 12 pessoas, incluindo o atacante Lucas Pratto, ex-Atlético-MG e São Paulo. O Boca Juniors contabiliza 10 contaminados.

A onda da variante Ômicron também afetou o planejamento do River Plate, que faria a pré-temporada em Miami e decidiu mudar para a Patagônia diante da explosão de infecções.

 

Bruno Marinho e Tatiana Furtado/G1